Psicóloga

Ana Lúcia Pereira

CRP: 06/62140

 

Apresentação   Quem sou eu   Psicoterapia   Verdades e Mitos   Cursos e Workshops

Orientação Vocacional   Orientação de Carreira   Mídia   Dicionário   Textos   Links

Mesmo na condição de uma ciência reconhecida, em constante desenvolvimento e ampliando cada vez mais sua contribuição, a Psicologia continua alvo de muitas fantasias e estereótipos. Na tentativa de contribuir para a desmistificação da Psicologia e do trabalho do psicólogo, comentaremos aqui algumas das dúvidas mais frequentes.

Vão pensar que estou doente, desequilibrado?

Esta crença errônea está relacionada com a classificação equivocada do psicólogo como "médico de cabeça" e do paciente como doente. Trata-se de um preconceito que felizmente pouco a pouco vem sendo ultrapassado.

Atualmente o psicólogo está presente em diversos locais (escolas, empresas, clubes esportivos, projetos comunitários...). Essa inserção mais abrangente tem contribuído para desmistificar a atuação desse profissional, embora ainda tenhamos um longo caminho pela frente.

O psicólogo é um médico que mexe com a cabeça?

O psicólogo não é médico e tão pouco mexe com a cabeça das pessoas. A situação terapêutica não requer uma relação de poder. Pelo contrário, não é desejável que o paciente assuma uma atitude passiva, colocando-se a mercê das ações do psicoterapeuta.

A psicoterapia consiste em um esforço colaborativo entre paciente e terapeuta, que juntos estabelecerão os objetivos e metas do trabalho a ser realizado.

Como muito bem lembrou do filósofo e psicólogo Eugene Gendlin, seres humanos não são "máquinas" com parafusos  soltos esperando para serem reconectados:

"Seres humanos não são máquinas com fios soltos ou válvulas queimadas, que um cirurgião ideal pode tocar e consertar, ou ajustar, retirar ou reconectar. Somos organismos interativos, experienciais. Quando eu respondo ao que se passa com alguma pessoa, então alguma coisa se passa dentro dela. É claro, alguma coisa também já está acontecendo antes que eu responda. Ela está magoada, ansiosa ou deprimida; ela perdeu seu próprio sentido; pode não estar sentindo coisa alguma; tudo pode estar soando insípido. Quando eu consigo responder, então algo mais está, de repente, acontecendo; ela sente, realmente alguma coisa, há um sentido surpreendente do próprio eu e ela pensa: 'Puxa, talvez eu não esteja perdida' ".

Será que não haveria mesmo um jeito de sair disto sozinho?

Sou incapaz de resolver meus próprios problemas?

 Podemos pensar no psicólogo como um espelho que possibilita ver "coisas" em lugares onde não podemos enxergar a "olho nu". Cabe a ele oferecer um auxílio especializado, que é resultado de seu treinamento e conhecimentos a respeito das manifestações do comportamento humano. Sua ajuda, portanto, é diferente daquela obtida com amigos ou familiares.

Utilizar-se de ferramentas para atingir objetivos com eficiência e rapidez não é sinal de fraqueza e sim de inteligência e força interior.

Vou pagar para ouvir conselhos?

Conselhos (pelo menos no sentido a eles atribuído nesta pergunta) podem ser oferecidos por parentes e amigos (e algumas vezes ajudam bastante).

O trabalho do psicólogo, no entanto, não deve ser visto dessa forma, pois consiste um esforço colaborativo entre paciente e terapeuta, por isso se diferencia de uma relação em que um aconselha e o outro acata ou não as orientações recebidas.

Nenhuma intervenção do psicólogo funciona se o paciente também não estiver engajado no processo. Mas, considerando-se que a psicoterapia consiste em uma relação voluntária de ajuda, a responsabilidade maior pelo resultado do processo é do psicólogo. Ou seja, o psicólogo, na qualidade de profissional que oferece um auxílio especializado, deve garantir àqueles que o procuram significativo domínio técnico, disponibilidade interna, habilidades interpessoais em alto nível e genuíno interesse pelo paciente e suas questões. Essas condições caracterizam a relação de ajuda e determinam a qualidade das sessões.

O psicólogo vê "através" das pessoas?

 

Definitivamente não! O psicólogo não é nenhum tipo de investigador ou vidente com uma bola de cristal. É importante que no processo de psicoterapia exista espaço para se abordar assuntos íntimos de qualquer natureza, mas ao psicólogo cabe acolher as revelações de seus pacientes e não "adivinhá-las".

O psicólogo nunca trata de maneira leviana as informações que lhe são confiadas, utilizando-as apenas para favorecer os melhores interesses dos seus pacientes, sempre observando o sigilo terapêutico e o estabelecimento de relações pautadas no mais profundo respeito.

Cito abaixo um trecho do psicólogo e teólogo John Powell, que nos faz refletir sobre a importância do respeito devido a todos aqueles que compartilham seus sentimentos:

"Meus sentimentos são como minha impressão digital, como a cor dos meus olhos e o tom de minha voz: únicos. Para você me conhecer, é preciso que conheça meus sentimentos. Minhas emoções são a chave para a minha pessoa. Quando lhe dou essa chave, você pode entrar e compartilhar comigo o que tenho de mais precioso para lhe oferecer: eu mesmo".

Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas têm todos o mesmo papel?

Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas desempenham papéis diferentes, embora algumas vezes complementares. Um mesmo profissional só pertence  a mais de um grupo  quando tem mais de uma formação (por exemplo, alguém formado em Medicina e também em Psicologia). Façamos uma breve descrição das três profissões:

O psiquiatra é o médico que após a formação em Medicina se especializou em Psiquiatria. Sendo assim, sua prática profissional é fiscalizada e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina. Os psiquiatras são responsáveis pelo tratamento medicamentoso das manifestações psíquicas indesejadas e, embora não percam de vista a complexidade do ser humano, enfocam principalmente o aspecto fisiológico da questão.

Os psicanalistas podem ter qualquer curso superior (embora grande parte possua graduação em Psicologia ou Medicina), desde que recebam a formação oferecida pela Sociedade Psicanalítica. Essa formação dura de quatro a oito anos, e envolve, além do estudo dos psicanalistas de referência, análise com profissionais já formados e credenciados pela instituição. Esses profissionais baseiam sua prática exclusivamente em princípios psicanalíticos.

Os psicólogos, no decorrer de sua formação, têm contato com várias abordagens teóricas: Psicanálise, Gestalt, Behaviorismo, Humanismo, etc. Devem, no entanto, eleger uma delas para estudar com maior profundidade e fundamentar seu atendimento.

Embora possam fazer uso também da abordagem psicanalítica, não devem usar o título de psicanalistas se não tiverem a formação oferecida pela Sociedade Psicanalítica. Nesses casos, podem se identificar como "psicólogos de abordagem psicanalítica". Para atuar legalmente como psicólogo, o profissional precisa do CRP, um registro fornecido e fiscalizado pelo Conselho Regional de Psicologia de cada região.

O ideal, no entanto, é o trabalho multidisciplinar. Isso porque o homem é um ser biopsicossocial, ou seja, influenciado pelas esferas biológicas, psicológicas e sociais.

A dimensão biológica contempla às características físicas herdadas ou adquiridas durante a vida, como, por exemplo, a herança genética, o metabolismo, os sistemas,  as resistências e vulnerabilidades dos órgãos.  A esfera psicológica corresponde aos processos afetivos, emocionais e intelectuais. A dimensão afetiva, por sua vez, diz respeito à influência  dos grupos sociais e do meio físico em que o indivíduo está inserido.

Essas três instâncias funcionam de forma interdependente e podem ser desencadeadas de maneira simultânea. Pensemos no exemplo de alguém que, em função do excesso de trabalho passa a alimentar-se mal. Essa situação, a princípio relacionada a um aspecto social (exigências profissionais) pode fazer com que essa pessoa adquira uma gastrite (dimensão biológica), o que pode, eventualmente interferir também na esfera psicológica (a pessoa fica preocupada, chateada, etc.)

A perspectiva do homem como ser biopsicossocial nos leva a compreender o homem de maneira coerente com a definição de saúde da Organização Mundial de Saúde, que define saúde como um estado de completo bem estar físico, psicológico e social.

Penso que o desenvolvimento da psiquiatria, da psicologia e da psicanálise foi favorecido pelo surgimento gradativo dessa consciência, que implica na aceitação de que as manifestações psíquicas indesejáveis não se devem exclusivamente à dimensão biológica, merecendo igual atenção as esferas psicológicas e sociais. Sendo assim, dependendo do caso, a união de esforços entre psicólogo/psiquiatra ou psicanalista/psiquiatra é muito válida e garante melhores resultados para o paciente.

O tratamento psicológico é demorado? Com que frequência eu devo fazer terapia?

Não é possível dar uma resposta precisa para essa pergunta. Eu, particularmente, não consigo dimensionar o tempo de tratamento antes de uma avaliação detalhada de cada caso. E a maioria dos colegas com quem mantenho contato atuam de maneira simular.

Isso porque o tempo de duração do tratamento é influenciado por múltiplos fatores: perfil do paciente, estilo da relação estabelecida com o terapeuta, intensidade da queixa, disponibilidade para o tratamento, etc. Muitas vezes, quando está prestas a ter alta, o próprio paciente traz uma nova demanda a ser trabalhada em terapia.

Vale ressaltar que todo psicólogo ético encerra a relação terapêutica quando o paciente já tem condições de "caminhar" sozinho ou não está mais se beneficiando da terapia.

A maioria dos terapeutas preferem não dar alta bruscamente, optando por iniciar o "processo de alta", que consiste no espaçamento gradativo das sessões, que passam de semanais para quinzenais e de quinzenais para mensais; chegando, por fim, ao encerramento do processo. Esse procedimento garante que o terapeuta possa trabalhar adequadamente a quebra do vínculo terapêutico, acompanhar a adaptação do paciente e propor os ajustes necessários.

De qualquer maneira, a pessoa sempre tirará o melhor proveito da terapia quando respeitar seu tempo, que é individual, único e precioso.

Cito, com o intuito de incentivar uma reflexão a respeito do tempo, as palavras do poeta tcheco Rainer Maria Rilke.

"Seja paciente com as coisas não resolvidas
em seu coração...
Tente amar as próprias questões...
Não procure agora as respostas
que não podem ser dadas
pois você não seria capaz
de vivê-las.
E o mais importante,
é viver tudo
Viva as questões agora.
Talvez você possa, então,
pouco a pouco,
sem mesmo perceber,
Conviver, algum dia distante, com as respostas"

Eu terei que tomar remédios para melhorar?

Não necessariamente, vai depender do seu diagnóstico. Em vários casos os remédios são dispensáveis, em outros desejáveis para  acelerar a melhora do paciente e em algumas casos chegam a ser  imprescindíveis para que o trabalho do psicólogo seja possível.

Nos casos em que os medicamentos são necessários, vale lembrar  que o tratamento ideal não se limita à eliminação ou redução dos sintomas das queixas, devendo abranger, necessariamente, suas origens. Daí a importância do trabalho conjunto entre o psicólogo e o psiquiatra para que os resultados sejam efetivos e duradouros.

Também é muito importante que o paciente seja adequadamente informado sobre a natureza dos medicamentos que irá tomar, seus efeitos colaterais, o tempo previsto para sua ação terapêutica e a previsão de tempo de uso.

Eu terei que ser hipnotizado?

A hipnose consiste em um estado alterado de consciência ou percepção, induzido por um relaxamento profundo. Os profissionais que utilizam a técnica acreditam que a promoção deliberada desse estado permite que o paciente fique mais receptivo à sugestão terapêutica.

Trata-se de uma técnica antiga (o próprio Freud chegou a fazer uso dela antes de desenvolver sua "terapia pela conversa"), mas que atualmente tem sido utilizada apenas por alguns grupos. A título de exemplo podemos citar a hipnose ericksoniana, assim denominada por ter sido criada pelo psiquiatra norte-americano Milton Erickson (1901-1980), fundador da American Society of Clinical Hypnosis.

Erickson propôs a adaptação da técnica hipnótica clássica à realidade apresentada por cada paciente, usando elementos trazidos pelo próprio indivíduo para induzi-lo ao transe. De acordo com Erickson, os pacientes já têm em seu inconsciente os recursos necessários para resolver seus problemas e o terapeuta tem apenas que fazer com que eles entrem em contato com estes recursos.

Os profissionais que trabalham com a hipnose não aconselham sua utilização nos casos de psicose e transtorno borderline.

Enfim, a hipnose é mais um dentre os vários procedimentos possíveis que o paciente pode procurar. Mas cabe aqui um alerta: se você resolver experimentar esse tipo de tratamento, procure profissionais qualificados, ligados a grupos de estudo sérios e de preferência vinculados à universidades reconhecidas. Evite os "hipnotistas de palco".

Como escolher um bom profissional?

É fundamental que o profissional seja atualizado e tenha domínio técnico da abordagem teórica que segue. A escolha do bom profissional, no entanto, não precisa estar vinculada à abordagem teórica, e sim à  ética e seriedade com que o psicólogo se mantém atualizado e faz uso dessa abordagem.

O que queremos dizer é que existem bons e maus profissionais em todas as abordagens teóricas, por isso o aspecto mais relevante a ser observado não é a fundamentação teórica adotada, e sim a forma como o profissional faz uso dela, além da sua capacidade de estabelecer um bom vínculo terapêutico e o compromisso ético com a profissão.

Um importante estudo conduzido por Carl Rogers, de 1962 a 1967, realizado com clientes de terapeutas de diversas abordagens, concluiu que a melhora dos pacientes não é função da abordagem teórica ou das técnicas usadas pelo terapeuta e sim de determinadas posturas assumidas por este último durante o processo terapêutico.

Essas posturas ou atitudes terapêuticas foram classificadas em seis dimensões básicas. As três primeiras dimensões foram identificadas pro Rogers e as três últimas por Carkhuff:

  1. Compreensão empática: capacidade de se colocar no lugar do paciente;

  2. Aceitação positiva incondicional: capacidade de acolher o paciente integralmente, sem que lhe sejam colocadas quaisquer condições e sem julgá-lo pelo que sente, pensa, fala ou faz;

  3. Autenticidade ou coerência: capacidade de colocar-se, seja por meio de palavras ou atos, de maneira autêntica e genuína;

  4. Confrontação: capacidade de perceber e comunicar ao paciente certas discrepâncias ou incoerências em seu comportamento;

  5. Imediaticidade: capacidade de trabalhar a relação terapeuta-paciente, abordando os sentimentos imediatos experimentados durante as sessões;

  6. Concreticidade: capacidade de decodificar a vivência do experiência do outro em elementos específicos, objetivos e concretos.

Enfim, a habilidade no estabelecimento de um bom vínculo terapêutico é fator crítico para o sucesso do processo, portanto deve ser considerada na escolha do profissional.  As atitudes terapêuticas descritas acima fornecem algumas pistas sobre a presença dessa habilidade.

A habilidade de ouvir o outro, ingrediente de qualquer relacionamento humano saudável, torna-se indispensável no relacionamento terapêutico. Para aprofundar essa reflexão cito as observações de Carl Rogers.

"Assim, o primeiro e mais simples sentimento que quero compartilhar com você é minha satisfação quando consigo realmente escutar alguém. Creio que essa tem sido uma característica antiga em mim. Ocorrem-me meus primeiros dias de escola. Um criança fazia uma pergunta à professora, e esta dava uma resposta perfeita a uma pergunta completamente diferente. Nessas ocasiões, um sentimento de dor e angústia sempre me invadia. Minha reação era: - Mas você nem mesmo o escutou! Eu sentia uma espécie de desespero infantil diante da falta de comunicação que era (e ainda é) tão comum".     (Carl Rogers).

É verdade que algumas terapias não são feitas individualmente?

Exatamente. Além da terapia individual, que é a mais comum, as pessoas também podem optar por algumas outras modalidades, que descreverei brevemente abaixo:

Na terapia de casal o foco do trabalho é a análise dos conflitos do cônjuges, com o objetivo de promover a compreensão da dinâmica do relacionamento e o desenvolvimento de possibilidades mais saudáveis para a condução das dificuldades conjugais.

A terapia em grupo envolve várias pessoas, que se reúnem para discutir suas questões, interagem entre si e têm o psicólogo como mediador.

Na modalidade terapia de família, participam as pessoas significativas do núcleo familiar, de forma a possibilitar ao psicólogo a análise dos conflitos, as relações e os vínculos familiares. O objetivo é levar os membros a  compreenderem os conflitos que permeiam a família, de forma a favorecer maior equilíbrio e harmonia.

Como já ressaltamos em outros pontos, seja qual for o caso, para que o trabalho seja proveitoso, é imprescindível o estabelecimento de um bom vínculo terapêutico.

 

Caso a sua dúvida não esteja contemplada aqui, entre em contato comigo para que eu possa respondê-la e acrescentá-la.

Consultório

 Rua Itapeva, 518, conjs. 605/6, Bela Vista – São Paulo/SP

( (11) 3542-4688 /  (11) 8125-5215   * alp@analuciapsicologa.com